http://www.makepovertyhistory.org O Mal da Indiferença: Desonra Social

terça-feira, agosto 15, 2006

Desonra Social


Reiterando o pensamento Ocidental, exponho, em primeira instância, o sentido simbólico de todo o corpo societal: os indivíduos do sexo masculino são construtores desigualitários nos termos da Racionalidade, do uso da força física e do controlo emocional. Ora, o interesse do estudo do comportamento de género que reforça a desigualdade, o patriarcado, a diferenciação, a irregularidade e a discriminação enfatiza alguns pressupostos que gravitam em torno de eixos fundamentais: os que tomam os homens como portadores de posições sociais de privilégio, caracterizando-os como um grupo social que anula espaços de intervenção às mulheres; os que relevam o predomínio social dos homens como um mito religioso e os que estão ligados a movimentos de acção que tendem a relacionar as trajectórias e as posições de baixa social das mulheres em relação aos altos recursos materiais, estatuto social, poder e oportunidades de auto – realização masculinos, no que concerne aos princípios de fechamento biopsicosociocultural.
Analiticamente, a lista de horrores já soa nas veias da proibição, segundo o INE, depois de uma análise em torno de uma série de problemáticas:

33% das mulheres já sofreram algum tipo de violência domestica;
11% já foram espancadas uma vez;
Em 20% dos casos, a forma de agressão é menos violenta, como empurrões e ameaças faciais;
Em 18% dos casos, a agressão é psíquica;
Ameaças com objectos quebrados e atirados e roupas rasgadas somam 15% dos casos;
Mais de 50% das mulheres ocultam os seus casos de agressão e não pedem auxílio institucional;
Em 53% dos casos, os maridos e parceiros são os principais agressores;
As casas de abrigo e de acolhimento assim como de reinserção social para as mulheres e filhos menores são indicadas como a melhor solução para 43% das inquiridas;
21% das inquiridas apontam para a necessidade de criação de centros policiais da mulher e citam a indispensabilidade do serviço gratuito por telefone para socorro e orientação.

Neste sentido, mais do que oprimir há que circunscrever o fenómeno num sistema articulado e uniforme e entre as mais variadas politicas, desenvolver acções de apoio e de solidariedade social para as vítimas em questão; promovendo a intervenção de politicas dirigidas à consciência de uma reacção cada vez menos privada e cada vez mais comunitária. Assim, neste pacote de anomia incluem-se “ situações estigmatizantes, indutoras de grande sofrimento pessoal e humano…” em torno de um contexto de desconcerto, de desordenamento e de desonra sociais nitidamente persistente.

“Denunciar ajuda a prevenir”.

Ana Ferreira

anarafaelaferreira@hotmail.com