http://www.makepovertyhistory.org O Mal da Indiferença: Reflectindo sobre...

quinta-feira, novembro 23, 2006

Reflectindo sobre...

Despertando finalmente para o fenómeno atroz do tráfico de seres humanos, Portugal vai lançar, em 2007, o seu primeiro plano de combate que incidirá no estatuto e necessidades das vítimas. Com uma duração de três anos, o projecto visa constituir uma resposta eficaz às exigências da União Europeia, que diligencia promover a interacção policial e o esclarecimento da sociedade.

Investigação «Tráfico de mulheres em Portugal para fins de exploração sexual» do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra:

O Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra está a desenvolver um estudo solicitado pela Comissão para a Igualdade e para os Direitos da Mulher (CIDM) – “Tráfico de mulheres em Portugal para fins de exploração sexual” – que será apresentado em Julho de 2007. Embora ainda não esteja concluído, os seus resultados preliminares já desvendam alguns contornos (infelizes!) do tráfico de mulheres para a exploração sexual no nosso país:

- Grande parte das mulheres vítimas de tráfico é de nacionalidade brasileira. Encontram-se, contudo, mulheres oriundas do Leste europeu, designadamente da Rússia e Moldávia.

- A sua permanência no país não ultrapassa os seis meses de modo a evitar que estabeleçam ‘relações de fidelidade’.

- Aquando da sua chegada a Portugal, a vítima depara-se com a apreensão do seu passaporte e uma ‘dívida’ astronómica a qual terá de pagar irremediavelmente.

- As redes que operam nos países do Leste são mais organizadas e violentas do que as do Brasil.

- Porto, Lisboa, Aveiro e Algarve são as áreas onde a exploração de mulheres detém maior incidência.


O último relatório do Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e Crime (ONUDC) assinala o território nacional como de ‘médio risco’ para o tráfico de seres humanos, pelo que se impõe com premência a adopção de estratégias de combate. O lançamento deste plano deve apenas inaugurar uma nova postura de Portugal em relação a este fenómeno de abjectas proporções e não constituir um fim em si mesmo.
Resta-nos aguardar.
Anabela Santos