http://www.makepovertyhistory.org O Mal da Indiferença

domingo, maio 27, 2007

"Emigravam mais homens que mulheres, porque pediam mão-de-obra mais pesada e as mulheres são mais fracas"







A globalização, segundo uma amalgama de teóricos, atenuou o patriarcado. No entanto, muitos dados demonstram que os papéis das mulheres na sociedade não se têm transformado e portanto considera-se que a globalização apesar de ser um processo totalmente positivo, para as mulheres tornou-se problemático. A globalização, no actual processo de internacionalização da economia, no qual os países possuem os seus desenvolvimentos económicos condicionados aos ajustes estruturais orientados pelas instituições económicas e pelo mercado de capital, agrava as situações de desigualdade social e de género, perpetuando mecanismos de discriminação e exclusão de amplos segmentos da população.

As mulheres imigrantes são aquelas que passam, na sua maioria, por um processo designado de feminização da pobreza. Este conceito está associado ao processo de globalização, para destacar que existe maior incidência de pobreza entre mulheres imigrantes que entre homens; que a pobreza é mais severa entre mulheres que entre homens; que existe uma tendência ao aumento da pobreza entre mulheres, associada, particularmente ao crescimento das taxas de domicílio das mulheres.

De facto, a emigração, que num princípio pode ser uma experiência emancipadora, pode chegar a escravizar ainda mais à mulher. Ser emigrante é ainda mais duro se se é mulher. Às dificuldades que têm que superar à hora de construir uma vida fora de seu país natal, a mulher tem de adicionar outras condicionantes que só afectam a seu sexo. Esta é a conclusão geral que se pode extrair do ‘IV Seminário de Antropologia. A mulher emigrante’. Algo que em princípio contrasta com a realidade de uma das motivações iniciais da mulher imigrante que ao sair de seu país aspira a uma emancipação, a uma mudança de status, sendo este um dos motivos para que se decidam a isso. No entanto, o que deveria ser, e em si o é, uma experiência liberalizadora, pode chegar a escravizar ainda mais à mulher, a enfrentá-la a novas e mais tenazes desvantagens. A socióloga Aparicio baseou a sua interpretação em dados que demonstra - “a distância entre a formação educativa e académica e o tipo de trabalhos que depois se desempenha no país de origem é muita maior no caso da mulher que do homem”.

Tal como considerava um entrevistado, emigrante português, a residir no Brasil: “ Há uma grande diferença entre emigrar um homem e uma mulher. As mulheres não têm tanta facilidade, porque são mães e os filhos precisam da guarda delas. Na minha altura, a minha mulher foi só para o Brasil, porque eu lhe consegui arranjar emprego, senão ficava em Portugal a tratar das filhas, como estava antes. Emigravam mais homens que mulheres, pois pediam mão-de-obra mais pesada e as mulheres são mais fracas.”

Ana Ferreira

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sexta-feira, maio 25, 2007

Relatório Anual da Amnistia Internacional

A Amnistia Internacional (AI) publicou, esta semana, o relatório anual sobre os Direitos Humanos. Os dados incidem sobre as cinco áreas trabalhadas pelos técnicos da AI em 2006, a saber:

*Violência contra as mulheres,
*Controlo do comercio de armas,
*Pena de morte,
*Tortura e terror,
*Justiça Internacional.

A AI põe em relevo o empolamento dos actos mais corrosivos dos direitos individuais. Contudo, a organização ressalva que os dados são meramente representativos, pois “o número de abusos e da negação dos direitos humanos será, sem dúvida, maior”.

Amnistia Internacional em 2006:


Tinha 2,2 milhões de membros ou apoiantes em mais de 150 países e territórios.

5 mil pessoas, comunidades, organizações de direitos humanos e famílias trabalharam em conjunto por todo o mundo;

700 defensores dos direitos humanos e organizações formados;

473 relatórios e outras publicações produzidos;

330 Acções Urgentes publicadas a favor de indivíduos em risco;

153 países presentes no relatório da Amnistia Internacional de 2007;

121 projectos de campanhas empreendidos;

120 visitas feitas a 77 países e territórios;

57 países têm prisioneiros de consciência ou hipotéticos prisioneiros de consciência;

Violência contra as Mulheres:

185 Estados ratificaram a Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres.

62 Estados colocaram restrições nas cláusulas;

9 não assinaram;

1 assinou mas não ratificou - EUA.

Violência Doméstica:

1 em cada 3 mulheres está sujeita a abusos do parceiro durante a sua vida;

50 % das mulheres assassinadas são mortas pelos actuais parceiros ou antigos parceiros;

Tráfico Humano:

2 milhões de pessoas são traficadas todos os anos, a maioria são mulheres e raparigas;

137 países recebem estas mulheres, a maioria na Europa Ocidental, Ásia e América do Norte;

127 países exportam estas mulheres, maioritariamente da Europa Central e de Este, Ásia, África Ocidental, América Latina e Caraíbas.
Mulheres em conflito:

70 % dos feridos em conflitos recentes têm sido não-combatentes; a maioria são mulheres e crianças;

Dezenas de milhares de mulheres e crianças foram sujeitas a violações e violência sexual desde a crise no Darfur em 2003;

0 pessoas foram condenadas em Darfur por estas atrocidades.

Comércio de armas:

1250 mil pessoas juntaram-se à petição para um “Um Milhão de Rostos” que pedia o fim do comércio descontrolado de armas;

153 governos votaram em Dezembro para começar a trabalhar num Tratado Internacional de Comércio de Armas;

24 países abstiveram-se;

1 votou contra o Tratado: os EUA.

Negócio:

São gastos em, cada ano, em média, 22 biliões de dólares, cada ano, em armas por países da Ásia, Médio Oriente, América Latina e África;

22 biliões de dólares seriam suficientes para estes países garantirem a cada criança um lugar na escola e reduzir a mortalidade infantil para dois terços em 2015;

85 % das mortes registadas pela Amnistia Internacional envolve o uso de armas e armas de pequeno porte;

60 % das armas de fogo do mundo estão nas mãos de indivíduos privados;

2 balas são produzidas por cada homem, mulher e criança no planeta, todos os anos.

A Pena de Morte:

20 mil pessoas estima-se que estejam nos corredores de morte em todo o mundo;

3861 pessoas foram sentenciadas à morte em 55 países;

128 países não executam pessoas (tendo abolido a pena de morte
na lei ou na prática);

99 desses países aboliram a pena de morte na lei por crimes comuns. As Filipinas foram o 99º país a fazê-lo em 2006;

91 % de todas as execuções que se conhecem tiveram lugar em 6 países: China, Irão, Iraque, Sudão, Paquistão e EUA;

69 países retêm a pena de morte;

65 pessoas foram executadas no Iraque em 2006;

3 foram executadas em 2005.

Tortura e Terror:

144 Estados ratificaram a Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Castigos Cruéis, Desumanos e Degradantes;

102 países relatam casos de tortura e maus tratos pelas forças de segurança, polícia e outras autoridades do Estado, documentadas pelo relatório da Amnistia Internacional em 2007.

“Guerra ao terror”:

400 detidos de mais de 30 nacionalidades continuam presos em
Guantánamo – o símbolo público de injustiças no que se refere ao
terrorismo no final de 2006;

200 detidos fizeram greves de fome desde que Guantánamo abriu;

40 tentaram o suicídio;

3 morreram em Junho de 2006, depois de aparentes suicídios;

Justiça Internacional:

104 países ratificaram o estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (TPI);

100 Estados assinaram um acordo de impunidade com os Estados Unidos da América, excluindo os cidadãos americanos de acções judiciais;

6 mandatos de prisão foram emitidos;

3 situações estão sob investigação – Norte do Uganda; República Democrática do Congo, Darfur (Sudão);
Anabela Santos

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quarta-feira, maio 09, 2007

“Nós procuramos dar aos nossos rapazes aquilo que a maior parte dos pais procura dar.”

Entrevista ao Director Técnico do Lar S.José Serafim Gonçalves

O Lar S. José, em Braga é uma insituição Particular de Solidariedade Social, que conta com 45 crianças e jovens, entre 6 e os 21 anos, Os jovens são acolhidos no lar devido a problemas familiares. O director Técnico Serafim Gonçalves aceitou responder as questões d' O Mal da Indiferença sobre o funcionamento da instituição.

1. De onde provém o financiamento do lar?

Temos um acordo com a Segurança Social que nos dá determinada quantia por cada miúdo que a instituição acolhe. Além disso, a nossa direcção considera que é importante a instituição autonomizar-se. Por isso, temos outros meios de financiamento: uma tipografia e um parque de estacionamento. Queremos, de facto, caminhar para a autonomização financeira.

2. O Estado português apoia convenientemente este tipo de instituições?

O apoio que nós temos do Estado português é o acordo de cooperação que temos com a Segurança Social. Este auxílio não é suficiente e, por isso, a instituição recorreu a outros meios.

3. Recebe algum tipo de fundo privado ou voluntariado?

Temos voluntários que prestam apoio académico, à música e ao teatro. Em termos de financiamento, temos donativos esporádicos.

4. Em que tipos de situações são encontradas as crianças que são retiradas do núcleo familiar?

Situações de risco, sempre! O trabalho de sinalização junto da família da criança que esta em perigo é feito pela comissão de protecção ou pela segurança social, em coordenação com o tribunal. A nós simplesmente nos fazem o pedido de acolhimento da criança na instituição e perante a observação que a equipa técnica faz do pedido, referimos ou não o processo de admissão da instituição. Temos miúdos provenientes de famílias que apresentam muitos problemas: álcool, drogas, prostituição ou mesmo tudo associado. O problema charneira que cá temos caracteriza-se pelo álcool. Existe alguns com pais toxicodependentes, fracas condições de habitabilidade, famílias numerosas que não prestam os cuidados básicos aos filhos. Tivemos casos de meninos com dez anos que praticamente nunca tinham ido à escola.



"Nós somos uma instituição aberta, sem muros, os miúdos têm escola no exterior."



5. Como é que decorre o processo de admissão e integração de jovens no Lar?

É um dos processos mais pensados pela instituição. O processo de admissão esta ligado intrinsecamente ao processo de integração. O miúdo tem de ter determinado perfil para ser internado na nossa instituição. Nós somos uma instituição aberta, sem muros, os miúdos têm escola no exterior. Para que a integração do miúdo não seja demasiadamente atroz, procuramos que a sua integração seja feita na nossa colónia de férias porque é um ambiente mais informal e as regras são mais elásticas. Quando chegam à instituição, em Setembro, já a instituição e os colegas não lhes são estranhos. Quando isso não é possível, procuramos sempre conhecer a família e o miúdo na família. É dramática a situação em que os miúdos chegavam à instituição em jipes de polícia.


6. Quais são os principais problemas psico-sociais manifestados pelos jovens internados?

É difícil de catalogar porque cada caso é um caso, cada jovem é um jovem. Talvez estabilidade emocional. As vezes temos alguns casos também com problemas de relacionamento, o saber estar. Mas eu prefiro realçar sempre os aspectos positivos, acho que é muitas vezes os aspectos positivos que nos vamos conseguindo esbater aqueles que são menos positivos.

7. As crianças na escola sofrem algum tipo de discriminação?

Acaba por existir sempre discriminação, principalmente quando não há um trabalho dentro da própria escola. A escola deve ter alguma sensibilização para estes miúdos. Neste momento, nós procuramos dar aos nossos rapazes aquilo que a maior parte dos pais procura dar. Os nossos miúdos estão em escolas de futebol, de basquetebol, piscina e tudo isto decorre em horário pós-estudo.

"A grande maioria das pessoas que trabalha neste tipo de instituições esforça-se para ajudar estes rapazes. "

8. Acha que esta estigmatização vai influenciar o percurso do adolescente?

Qualquer estigmatização influencia sempre negativamente alguém. Acho que ninguém é indiferente quando sente que está a ser avaliado porque apresenta um determinado quadro.
9. Como é que se relacionam os jovens entre si? Há registo de comportamentos violentos?

Esporadicamente. Nada de anormal relativamente aos outros miúdos. Aquela violência que se fala por aí não existe cá. Os focos da comunicação estão voltados para este tipo de instituições por causa do processo Casa Pia e da Oficina São José do Porto como se todas as instituições fossem um bando de malfeitores. Isto não é verdade! É evidente que foi importante descobrir o caso da Casa Pia mas depois o tema foi demasiadamente explorado. Alguns miúdos de cá disseram-me que na escola lhes perguntaram se aqui também havia bibis! Isto é dramático e revela uma falta de sensibilidade tremenda. A grande maioria das pessoas que trabalha neste tipo de instituições esforça-se para ajudar estes rapazes.

10. Quais são as dificuldades encontradas pelas crianças quando saem do lar para entrar no mercado do trabalho?

Para cada jovem que cá chega existe toda a uma equipa técnica de orientadores, psicólogos, directores técnicos e educadores. Estes fazem um diagnóstico da situação de cada menino e traçam um perfil do futuro do jovem. Há sempre um acompanhamento por parte da instituição junto da entidade patronal. Há uma sensibilização por parte dos responsáveis junto da entidade patronal no sentido de lhes dar o maior conhecimento possível sobre a forma com possam ajudar o jovem. Existe as vezes uma pequena estigmatização por ser um menino da oficina S.José! No entanto existe também um dever espontâneo, há entidades patronais que estão disponíveis a receber meninos.

Sylvie Oliveira

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terça-feira, maio 08, 2007

EUA não protegem as mulheres indígenas vítimas de violência sexual


A Amnistia Internacional (AI) acusa os Estados Unidos da América de não protegerem as mulheres indígenas vítimas de violência sexual nos Estados de Oklahoma, Alasca e Dakota do Norte e do Sul. As mulheres indígenas têm duas vezes mais probabilidade de serem violadas do que as restantes cidadãs norte-americanas.

De acordo com o relatório da AI ‘Labirinto de injustiça: falta de protecção das mulheres indígenas face à violência sexual nos Estados Unidos’, a “erosão da autoridade dos governos tribais por parte do governo federal e a insuficiência crónica dos recursos disponibilizados pelo governo federal aos organismos incumbidos de fazer cumprir a lei” contribuem para o agravamento dos crimes sexuais contra mulheres indígenas.

“As mulheres indígenas do Alasca e do resto dos EUA continuam a ser vítimas de um elevado grau de violência sexual, de uma impunidade sistemática dos responsáveis e de uma indiferença das autoridades perante os direitos destas mulheres à dignidade, segurança e justiça”, sublinha o relatório da AI.

A AI sustenta que os EUA criaram um “complexo” sistema de jurisdição tribal, federal e estatal que permite que os responsáveis por crimes sexuais actuem com impunidade.

“O governo dos EUA reduziu a capacidade dos sistemas de justiça tribal no tratamento de crimes de violência sexual ao não lhes conceder fundos suficientes, ao proibir os julgamentos de suspeitos não indígenas nos tribunais tribais e ao limitar as penas de prisão que estes tribunais podem impor por um crime”, consta no documento da AI.

O limite da pena de prisão para crimes de violação sexual nos tribunais tribais é de um ano, enquanto que a pena de prisão que os tribunais estatais e federais podem impor oscila entre oito anos e oito meses e entre 12 anos e 10 meses, respectivamente.

A organização considera a actuação da polícia norte-americana “inadequada” e “inapropriada”, revelando que os recursos que os governos federal e estatal disponibilizam às autoridades policiais dos núcleos da população indígena são “inferiores aos que disponibilizam para comunidades não indígenas comparáveis”.

A AI critica ainda os programas de formação federais, estatais e tribais de funcionários porque não incluem “componentes adequados ou suficientemente profundos no que respeita à violação e outras formas de violência sexual”.

“Os agentes não respondem de forma eficaz e não possuem os conhecimentos mais necessários para se ocuparem de crimes de violência sexual”, destaca a AI.

Segundo o censo norte-americano de 2000, cerca de quatro milhões de indígenas vivem nos EUA, o que representa dois por cento do número total de habitantes.

Alasca: maior incidência de crimes sexuais sobre mulheres indígenas

O relatório da AI revela que o Alasca é o Estado norte-americano que regista o maior número de crimes sexuais contra mulheres. Cerca de um terço da população indígena do Alasca não dispõe de “funcionários incumbidos de fazer cumprir a lei”.

“As mulheres indígenas podem ver-se obrigadas a pagar uma custosa viagem para chegar a um hospital ou a uma clínica para se submeterem a um exame”, mostra o documento.

Estudos estatísticos revelam que cerca de 57,7 por cento das mulheres vítimas de crimes sexuais no Alasca indicaram como seus agressores homens não indígenas.

“Um número elevado dos autores de actos de violência sexual cometidos contra as mulheres indígenas do Alasca e de outros regiões dos EUA são homens não indígenas”, destaca o relatório da AI.

Amnistia Internacional propõe medidas de combate à violência sexual

O relatório da AI sublinha a importância da elaboração de planos de acção direccionados para o combate à violência exercida sobre as mulheres indígenas, o aumento do financiamento federal e uma actuação policial “eficaz” e “adequada”.

A prestação de serviços de apoio às vítimas, práticas judiciais justas e a optimização do sistema de saúde são também práticas que a AI destaca para o combate à violência sexual exercida sobre as mulheres indígenas.

“É fundamental que as instalações dos serviços de saúde estejam dotadas de pessoal, de competência e de recursos necessários para que garantam uma recolha de provas precisa, sensível e confidencial em casos de violência sexual”, sublinha a AI.

Os profissionais de saúde devem ainda “dispensar às vítimas de violência sexual a atenção médica adicional como o tratamento de infecções de transmissão sexual e o acesso a anticontraceptivos de emergência”.
Anabela Santos

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domingo, maio 06, 2007

Discriminação aquém fronteiras: mulheres imigrantes!


Grande parte das mulheres imigrantes, quando chegam, ao nosso país, entram em incongruência de status. As mesmas sujeitam-se a trabalhar, na sua maioria, em qualquer tipo de trabalho considerado precário, nos mais diversos ramos: limpezas, trabalham nos cafés, tratam de idosos,naqueles trabalhos que fogem à mão de obra portuguesa.

Neste sentido, estas mulheres são vítimas das mais diversas formas de “exploração de mão de obra”. A socióloga Karin Wall concluiu que , estas mulheres ao desenvolverem trabalhos ligados ao “isolamento e ao fechamento social” (porque são as únicas no café, na casa doméstica, na casa do idoso, na maior parte dos casos), têm uma maior propensão para serem vítimas de agressão, assédio, de ameaças por parte de empregadores, chantagens, entre outras, que estão base do surgimento, na sua forma agravada, de um tipo de “violência sacrificial”. A investigadora enfatiza, ainda, que a rede de apoios de contactos a estas mulheres é muito limitada, agravando-se, se a sua situação for ilegal.

Contudo, as mulheres de leste, principalmente, quando chegam a Portugal trazem um currículo qualificado. Estas são, em grande parte, professoras, enfermeiras, engenheiras, médicas, etc - como tal, se estamos num país que levanta projectos, de incentivo ao desenvolvimento de um mercado de trabalho qualificado – porque não dar voz e mão a uma massa tão discriminada, tão menosprezada, como é o caso da mulher imigrante? Claramente, que a condição natural humana cria, no mercado de trabalho, uma oportunidade desigual para a ocupação de um posto de trabalho qualificado – o género motiva a mente conservadora a justificar a chefia dos cargos: ao homem o “exterior”, “sucesso no ramo profissional”, “desempenho continuado” versus “interior” , “sucesso no ramo doméstico”, “desempenho momentâneo” de confinamento feminino.

Não necessitamos, apenas, de um “milagre económico”; mas antes de um “milagre de consciência e da moral”.


Ana Ferreira

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segunda-feira, abril 30, 2007

O Silêncio Universal





Em França:

Uma em cada dez mulheres é vítima de violência doméstica.

Todos os três dias uma mulher morre vitima de violência domestica.

Infelizmente é um drama universal.


Sylvie Oliveira
SylvieO6@hotmail.com

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sexta-feira, abril 27, 2007

"Depois da aliança...gotas de sangue"



Ana Ferreira
(anarafaelaferreira@gmail.com)

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quinta-feira, abril 26, 2007

A espera da morte

A pena de morte configura-se como uma punição desumana, viola assim o direito a vida de uma forma irreversível e na minha opinião não é compatível com uma sociedade que se diz “civilizada”. É um assassínio, e não há volta a dar, um assassínio premeditado e decretado por um tribunal em nome da justiça. Não consigo ver nada de benéfico neste acto, nem de útil para a sociedade em geral. Não é cumprido uma pena, não há reabilitação, há simplesmente um castigo vingativo. É uma forma de tortura, tanto o acto da execução, como o tempo de espera. Seja o enforcamento, recentemente mediatizado, como a electrocussão, ou a decapitação, são formas barbaras de assassinar uma pessoa. A forma mais civilizada é a injecção letal, que se diz indolor, mas quando estreada em 1998, na Guatemala, o condenado demorou 18 minutos a morrer se isso não é tortura não sei o que é.

Existe ainda a assustadora possibilidade de ser aplicada a um inocente. A possibilidade de erro não pode ser excluída, defesa mal preparada, falta de provas, o próprio juízo humano que é falível. Essas condenações tornam-se muito difíceis de contestar em pedidos de recursos, mas aconteceu vários casos de reavaliação de comprovação de inocência. É portanto impossível afirmar o número de pessoas que terão sido condenadas injustamente. Sabe-se que desde 1990 oito países que são China, República Democrática do Congo, Irão, Nigéria, Paquistão, Arábia Saudita, EUA e Iémen, executaram 47 prisioneiros com menos de 18 anos na altura do crime. Entretanto a China, o Paquistão e os EUA alteram a lei da aplicação da lei para os 18 anos. O país que realizou o maior número de execuções conhecidas de menores foi os EUA (19 desde 1990 até 2003).Em 2005 foram executados no Irão oito delinquentes juvenis. Se a maior parte dos condenados a morte são por crimes graves como homicídios, países como o Japão executam pessoas por fraude fiscal ou burla.

É na minha opinião inútil porque não consegue cumprir o seu único propósito, isto é não diminui o crime. Os vários estudos científicos efectuados entre a pena de morte e as percentagens de homicídios, pelas Nações Unidas em 1988 e actualizadas em 1996, não conseguiram encontrar provas científicas de que as execuções tenham um efeito dissuasor superior ao da prisão perpétua. O receio da pena de morte não é dissuador, quem comete crimes pode fazê-lo sem racionalmente estimar os prejuízos que pode decorrer da sua acção. Se a sua acção for de facto planeada não será certamente a pena que o vai dissuadir mais do que passar a sua vida numa prisão. Em vários casos a morte de figuras emblemáticas pode criar mártires e aumentar a violência e vingança.

Não se pode descurar que a Pena de morte pode ser usada como forma de repressão politica, para eliminar ou calar adversários políticos ou revolucionários.
Sylvie Oliveira

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A morte não tem apelo!

No colóquio internacional comemorativo do centenário da abolição da pena de morte, realizado em Coimbra, em 1967, Miguel Torga e Vergílio Ferreira falaram assim:

Miguel Torga:
"A tragédia do homem, cadáver adiado, como lhe chamou Fernando Pessoa, não necessita dum remate extemporâneo no palco. É tensa bastante para dispensar um fim artificial, gizado por magarefes, megalómanos, potentados, racismos e ortodoxias. Por isso, humanos que somos, exijamos de forma inequívoca que seja dado a todos os povos um código de humanidade. Um código que garanta a cada cidadão o direito de morrer a sua própria morte".

Vergílio Ferreira:
"...E acaso o criminoso não poderá ascender à maioridade que não tem? Suprimi-lo é suprimir a possibilidade de que o absoluto conscientemente se instale nele. Suprimi-lo é suprimir o Universo que aí pode instaurar-se, porque se o nosso "eu" fecha um cerco a tudo o que existe, a nossa morte é efectivamente, depois de mortos, a morte do universo".
Sylvie Oliveira

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Pena de Morte



Como em todas as questões que se direccionam para as questões de vida e morte recorre-se a Declaração dos Direitos Humanos.
Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.” (Artigo 3)
Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.” (Artigo 5)
Sylvie Oliveira

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segunda-feira, abril 23, 2007

Marcha Mundial Contra a Fome:

A Marcha Mundial Contra a Fome consiste numa “manifestação global anual destinada a promover a sensibilização e recolher fundos para os programas que abordam o problema de fome infantil”.

Em todo o mundo, mais de 300 milhões de crianças sofrem de fome crónica. Aliás, a fome e a subnutrição constituem as principais causas da mortalidade infantil a nível mundial e, anualmente, provocam a morte a 6 milhões de crianças.

“Pode ser fornecida uma refeição escolar a uma criança que tem fome pela irrisória quantia de 16 cêntimos por dia”.

Em 2006, cerca de 760 mil pessoas participaram na Marcha, em 118 países, em mais de 420 cidades. Resultado: conseguiu-se angariar cerca de 2 milhões de dólares em todo o mundo.

Este ano, a organização pretende reunir, pelo menos, 1 milhão de participantes em todo o mundo e 25 mil em Portugal.

Junta-te à Marcha Mundial Contra a Fome!
Dia 13 de Maio às 10h00


Para mais informações, clica aqui!
Anabela Santos

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domingo, abril 22, 2007

Segolène e a luta pelas mulheres!

“Que a luta contra as violências realizadas contra as mulheres, violação cometidas em França em cada duas horas, uma mulher morre vítima de violência doméstica todos os três dias, seja um assunto de estado. “
(Congrès d’investiture du Parti Socialiste , Mutualité 26 novembre 2006)


"Vou fazer uma reforma para que todas as mulheres que sofrem de violência possam ficar no seu domicilio e que seja o cônjuge violento que tenha de sair. Para que eventualmente seja tratado, muitas vezes eles próprios viram na sua infância maus-tratos a sua mãe. É preciso quebrar esta espiral de violência e de brutalidade."
(DIMANCHE + , CANAL+, 21 janvier 2007)


É preciso recusar essas discriminações que, no mundo do trabalho, atingem as mulheres, maioritariamente os baios salários.”
(Soissons, 27 juin 2006)


“Eu sei que a batalha no quotidiano para as mulheres devem sem cessar provar aquilo que é espontaneamente reconhecido a um homem”.
(Réponses aux questions des libénautes, Libération, 15 novembre 2006)


"As mulheres ganham anda menos de 20 à 30% que os homens."
(Grenoble, Débat participatif sur la jeunesse, 1 er février 2007).


“Eu desejo que a contracepção seja gratuita para as jovens de menos de 25 anos para lutar contra as gravidezes precoces."
(Villepinte, 11 février 2007)



Sylvie Oliveira

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Testemunho

“Na minha família, o destino das mulheres era casar e dedicar-se ao lar. Para conseguir escapar a este destino, a minha única possibilidade era merecer, pelas minhas notas, o direito de ir mais longe.”

Segolène Royal
Candidata as presidenciais francesas.


Sylvie Oliveira

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segunda-feira, abril 16, 2007

Educar para a Igualdade de Género


A Igualdade de Género – isto é, a participação equilibrada de mulheres e homens nos campos económico, político, social e familiar, sem constrangimentos e estorvos – estando, por inerência, no âmago das reivindicações feministas, continua comprometida e atrofiada pelos papéis e traços de género que se desenvolvem desde a infância.

O primeiro agente de inculcação e reforço de valores estereotipados sexistas nas crianças é a família, nomeadamente por meio da diferenciação dos brinquedos oferecidos às meninas e aos meninos. Os brinquedos materializam as exigências e expectativas dos pais, impõem gostos, aptidões e padrões de comportamento e convivência, nutrem(-se) os estereótipos de género. Os núcleos familiares portugueses apresentam uma manifesta linha sexista nas suas práticas e hábitos quotidianos, pondo em causa a consecução da Igualdade de Género num futuro próximo.

Em declarações ao ‘O Mal da Indiferença’, a educadora de infância e vice-presidente pedagógica na Associação Creche de Braga, Isabel Andrade, reconhece que “há pais que valorizam muito aquilo que é feminino e o que é masculino e fomentam muito essa diferença”. “Há pais que se preocupam com o facto dos seus filhos quererem brincar com bonecas”, mas “nós temos de lhes explicar que são comportamentos absolutamente normais”, acrescentou a educadora.

A consecução de uma efectiva Igualdade de Género depende da educação ministrada pelos pais, mas não exclusivamente. A implementação de políticas direccionadas para a Igualdade (Mainstreaming de Género) na área da Educação assume igual importância.

As creches, os jardins-de-infância e escola, sendo espaços de aprendizagem e socialização das crianças, contribuem para a reprodução dos estereótipos de género nos mais novos. Inúmeros estudos demonstram que os estereótipos de género são veiculados por meio de as diferentes oportunidades na utilização de certos materiais, da formação dos grupos, da representação do masculino e feminino nos manuais escolares. Nos manuais escolares abundam os estereótipos de géneros; “quer os textos quer as ilustrações têm ignorado quase todas as questões ligadas às mulheres e ao seu contributo social ou fazem-no aludindo apenas às suas funções de mães”.

No sentido de banir este tratamento diferenciado, a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) sugere a “implementação de regulamentação no campo da igualdade de género na educação e de um Observatório de avaliação do sexismo na educação”. Esta proposta, bem como a promoção de “cursos de formação dirigidos ao pessoal dos distintos níveis educativos em termas relacionados com a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres” são, sem dúvida, apostas lúcidas num futuro mais justo e igual.


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sexta-feira, abril 13, 2007

Concurso Europeu de Fotografia pela Diversidade “Quebrar estereótipos”

O Concurso Europeu de Fotografia pela Diversidade “Quebrar Estereótipos”, paralelo às campanhas ‘Pela Diversidade. Contra a Discriminação’ e ‘2007 – o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos e Todas’, lança um desafio a tod@s @s estudantes de fotografia, arte, design e comunicação visual de toda a União Europeia: a criação de uma fotografia ou de uma colagem de fotografias promotoras da DIVERSIDADE.

A avaliação dos trabalhos cabe a um júri composto por fotógrafos, jovens artistas e especialistas na área que valorizarão aspectos como a “criatividade e originalidade”.

Até 30 de Julho de 2007, @s interessad@s podem participar com os seus trabalhos fotográficos e receber o primeiro prémio no valor de 3000 euros; o segundo e o terceiro prémios são de 2000 e 1000 euros, respectivamente. Os melhores contributos farão parte de uma exposição itinerante pela Europa.

Para mais informações acerca do processo de inscrição e das regras do concurso, passa por aqui!

Anabela Santos

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quinta-feira, abril 12, 2007

O NINHO: 40 anos no combate à prostituição


'O Ninho' consiste numa instituição particular de segurança social (IPSS) direccionada para a “promoção humana e social de mulheres vítimas de prostituição” e, em 2007, completa 40 anos de existência. Década a década, ‘O Ninho’ apostou na optimização crescente dos seus serviços e, na actualidade, desenvolve um intenso trabalho junto de mulheres prostitutas, na rua e nos bares, estabelecendo “relações empáticas e de confiança”. Dispõe de um centro de atendimento, que escuta e proporciona um acompanhamento psicossocial às prostitutas; de uma lar que as acolhe em fase de reinserção social; de uma Oficina que aposta na sua formação profissional e lhes atribui um salário mensal. A instituição presta ainda apoio psicológico, psicoterapêutico e jurídico, bem como diligencia a sensibilização dos poderes políticos e da sociedade para os problemas que a prostituição encerra.
“Explorar o corpo, reduzi-lo a objecto, é a negação da liberdade”:
'O Ninho' não estabelece distinção entre prostituição forçada e prostituição voluntária ou livre. Não há “uma má e uma boa prostituição”, pois considera que esta destrinça visa “banalizar e legalizar a prostituição, dar-lhe uma fachada de dignidade e, como consequência, legitimar o proxenetismo”.

Com efeito, ‘O Ninho’ refuta a legalização da prostituição na medida em que a considera um instrumento imunizador das máfias e redes que traficam crianças, mulheres e homens. De acordo com a instituição, o combate à prostituição passa irremediavelmente por uma “política social global, uma transformação das estruturas e uma mudança de mentalidades”.

“Na altura em que as sociedades se batem pela paridade, pela representação social e política das mulheres, como resignar-se a acantoná-las na prostituição?”, interroga-se ‘O Ninho’ (e eu também!).


Anabela Santos

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quarta-feira, abril 11, 2007

Respostas ao cartaz!

Resposta do Gato Fedorento. No mínimo original!
( Nota da Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial sobre a campanha contra os imigrantes do Partido Nacional Renovador)
1. A Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial, através da sua Comissão Permanente, manifesta a sua repulsa e condenação pela campanha hoje iniciada pelo Partido Renovador Nacional contra os imigrantes, apelando mesmo à sua expulsão através da frase “façam boa viagem”, incluída no seu cartaz.

2. A verdade é que, felizmente, estas teses xenófobas são extremamente minoritárias em Portugal e não representam o sentir geral do povo português. Nas últimas eleições, recorde-se, obtiveram unicamente 0,1% dos votos expressos.

3. A frase “Portugal aos portugueses” não é nova. É decalcada das congéneres europeias de extrema-direita, nomeadamente em França, onde tem sido utilizada a expressão “A França para os franceses”. No caso concreto de França, um dos alvos dessa expressão xenófoba é justamente a comunidade emigrante portuguesa. É bom recordar que as atitudes xenófobas, como a do PNR, atingem e prejudicam gravemente os cerca de 4,5 milhões de emigrantes portugueses
espalhados pelo mundo.

4. Portugal tem sido, e vai continuar a ser, um país que acolhe e integra bem os imigrantes que nos procuram, esforçando-se por combater a imigração clandestina e favorecer, de modo controlado, a imigração legal.

5. O combate ao racismo e à xenofobia deve ser permanente, num exercício cívico e pedagógico de todos os cidadãos, combatendo mitos e estereótipos falsos sobre os imigrantes. A Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação apela a que os cidadãos e as instituições portuguesas que condenem esta mensagem e reafirmem, com determinação, a atitude acolhedora e de integração com que Portugal trata os imigrantes que estão entre nós, à semelhança do que exigimos para os nossos emigrantes espalhados pelo mundo.
Sylvie Oliveira
SylvieO6@hotmail.com

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Basta de intolerância!



De facto deve ser o cartaz mais deprimente que devo ter visto. O único ponto positivo deve ter sido de ser único.

Se o slogan “Portugal aos Portugueses” e “Nacionalismo é solução” não bastasse para apavorar o comum dos mortais ainda tem o mau gosto de acrescentar “Boa viagem”.
O objectivo foi dar a conhecer o PNR a todos os portugueses. Se a imagem que pretende passar é de intolerância, pequenez, severidade, acho que conseguiram. De facto provaram que ainda existe pessoas que pretendem fechar o seu país ao mundo, fechar-se na sua ignorância e pensar que o futuro passa por estar “orgulhosamente sós”.

Pode-se ler no site do partido, ideias simplistas que reduzem os problemas do país a um só: a imigração. A imigração é causa dos numerosos guetos nos subúrbios das grandes cidades, da redução dos salários, da diminuição do nível de vida dos trabalhadores portugueses… Antes que o “flagelo” se alastre, a solução é a expulsão. Mesmo se acredito que vários problemas preocupam a sociedade e que estas ideias podem seduzir alguns, não posso acreditar que a expulsão seja uma ideia aceite por uma grande parte da população. Os Portugueses, tem em conta a sua história percebem os motivos que conduzem a emigração.

Segundo o PNR “Ninguém pode votar naquilo que não conhece”. Eu, pelo contrário, não posso imaginar que conhecendo se possa votar num partido que defende estas ideias. Não é uma opção, é sim falta de opção. Perante a ausência de resolução de vários problemas, em desespero de causa, surgem estas expressões mais radicais. No entanto acredito no bom senso.

Basta sim, mas de discriminação.
Um Portugal para todos.
Sylvie Oliveira

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CRAZY HORSE:


Dizem que é uma espécie de celebração da beleza feminina, um “templo do nu” onde doze majestosas mulheres exibem os seus corpos desnudos, num ambiente de “elegância e erotismo estético”.

E eu questiono: como se faz a apologia da beleza da mulher através da coisificação do seu corpo? Não se faz simplesmente. O espectáculo Crazy Horse do cabaret parisiense não exalta nada nem ninguém; recorre à nudez feminina porque permite obter lucros avultados.


O ‘nu feminino’, e não a ‘nudez poética’ como lhes apraz designar, desperta a curiosidade da maioria e, por isso, vende. O que me exaspera fundamente é o facto de colmatarem interesses meramente económicos com os rótulos de exaltação da beleza feminina e de ‘erotismo meigo’.
Lamentável!

Anabela Santos

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segunda-feira, abril 09, 2007

Swing: realidade sociológica!

O Swig é uma realidade que ultrapassa o campo do convencional e chega a fazer parte de uma Era Moderna caracterizada por um tipo de solidariedade orgânica. Ou seja, esta prática alternativa de interesse sociológico está a aumentar na Sociedade Hodierna, em torno de uma nova ordem e moral sexuais.
Neste sentido, a Sociologia do Corpo postula a ideia de que o corpo tem uma base biológica que vai sendo alterada e modificada nos diferentes contextos sociais. Para além disso, a abordagem fenomenológica centra-se no conceito de “corpo vivido” e na ideia de que a consciência humana está invariavelmente incrustada no corpo. Presume-se que o “corpo vivido” constrói e é construído pela realidade social. O ser humano é, então, um agente social incorporado.

Em contrapartida, podemos relacionar o corpo com as relações de poder. Ou seja, as categorias sociais são literalmente inscritas no e dentro do corpo, como justificativas de hierarquia, diferença e exclusão, actuando como uma expressão do social, local e dos mundos morais. Há, assim, uma espécie de imposição de um sistema de ordem simbólica.
Segundo Foucault, o corpo está sujeito a um poder muito fixado que lhe impõe constrangimentos, interdições e obrigações. O corpo funciona, desta forma, como transmissor e receptor de informação, em função do posicionamento do indivíduo na sociedade. No entanto, a prática do swing vem contradizer esta interdição.

O investimento nesta prática obedece a uma lógica de distinção e traduz-se num resultado classificatório, como estilo de vida. Portanto, os swingers incorporam gostos, hábitos, um estilo de vida especifíco e desempenham uma actividade centrada na lógica da “distinção social”.

Em meu nome, sugiro a obra de Júlio Morgado: “Swing”.



Ana Ferreira

(anarafaelaferreira@gmail.com)

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